MP entra com ação para que governo de SC adote medidas regionalizadas contra Covid-19
Justiça deu prazo de 48 horas para estado se manifestar
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) entrou com uma
ação civil pública nesta quinta-feira (30) com pedido de liminar (decisão
temporária) para que o governo de Santa Catarina adote medidas regionalizadas
de prevenção e combate à Covid-19. A 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca
de Florianópolis deu prazo de 48 horas para o estado se manifestar
sobre o caso. O estado informou que não havia sido intimado até a noite desta
quinta e que fará a análise do pedido quando isso ocorrer.
Ação civil pública
Segundo o MPSC, o objetivo da ação é evitar o colapso do
sistema de saúde. O pedido não exige a adoção de medidas específicas, mas que o
estado siga as recomendações do corpo técnico do governo e não delegue a
responsabilidade da prevenção e combate à doença apenas aos municípios.
"Quando o Estado alcança quase que a totalidade de seu território na
matriz de risco gravíssimo, está evidente que a responsabilidade não é
apenas dos municípios", afirmou o chefe do MPSC, Fernando da Silva Comin.
"É preciso, porém, e isso que se pretende: 1. Que o
Estado exerça sua competência constitucional, o poder-dever de coordenar e
conduzir a política pública de saúde de âmbito estadual e/ou regional; 2. Que
as decisões, e seus correspondentes atos administrativos, sejam pautadas em
critérios técnicos e científicos devidamente explicitados, preferencialmente
previamente, fixando-se as medidas a serem adotadas em cada nível de risco, ou,
subsidiariamente, após cada nova análise semanal da Matriz de Risco Potencial
do Estado, mediante apresentação nos autos de parecer técnico com os
fundamentos das decisões que o demandado adotar", diz o MPSC na ação civil
pública.
Em 1º de junho, o Governo de Santa Catarina anunciou
um plano regionalizado das ações, passando para as prefeituras a
responsabilidade de decidir pelas restrições de combate ao coronavírus. O MPSC
afirmou que, ao longo do processo de discussão dessa ferramenta, foram
removidas as medidas que deveriam ser adotadas pelos municípios conforme o
nível da pandemia em cada região. Segundo o Ministério Público, agora há apenas
sugestões genéricas.
De acordo com o boletim mais recente do governo do
estado, divulgado na noite desta quinta, Santa Catarina tem 80.904 mil casos
confirmados de coronavírus, com 1.043 mortes. A taxa de ocupação de leitos de
Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na rede pública é de 82,93%. Segundo
classificação do próprio governo do estado, Santa Catarina tem 12 regiões
consideradas em situação gravíssima para a Covid-19.
Manifestação anterior
O MPSC já havia se manifestado anteriormente sobre as
medidas de prevenção e combate à doença. Na semana passada, o órgão havia
encaminhado um ofício ao governo do estado pedindo mais transparência e
esclarecimentos sobre as bases científicas que fundamentam as medidas
sanitárias adotadas contra o avanço do coronavírus.
Na terça-feira (28) o secretário de estado da saúde, André
Motta Ribeiro, respondeu ao MPSC reforçando que em junho passou a compartilhar
com os municípios a gestão da crise, até então sob o comando quase exclusivo do
estado.
Sobre a decisão de dividir a responsabilidade com os
prefeitos, o secretário afirmou que foram criadas ferramentas de
compartilhamento de informações e que todas as medidas levaram Santa Catarina a
ter um número de infectados e de mortos inferior ao de outros estados, embora
longe do desejado.
Ainda segundo o documento enviado ao MPSC, não há omissão do
governo nesse cenário de compartilhamento de decisões.






ROMAN RAITER - JUSTIÇA AO OASE